Filme documentário "Paixão pela Palavra" Manoel de Barros, 9 maio 2015, 15h

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Assista ao documentário e no final um dos co-realizadores, Claudio Savaget, estará disponível para responder a algumas questões sobre o filme e o escritor.


 


Mais informações....


Paixão pela Palavra - Documentário sobre a vida e obra do escritor brasileiro Manoel de Barros


Recluso, autor criou linguagem própria, transformando a natureza em matéria-prima para versos.


Produzido em 2008 a partir de entrevistas feitas pelos jornalistas Claudio Savaget e Enilton Rodrigues, "Paixão pela palavra", com 123 minutos de duração, oferece um vasto material sobre a vida e obra de Manoel de Barros, que morreu em Novembro de 2014, aos 97 anos. No documentário, feito para o Canal Futura, o autor fala, entre outras coisas, sobre o seu processo de criação.


Ver trechos do programa: http://oglobo.globo.com/cultura/veja-documentario-paixao-pela-palavra-sobre-escritor-manoel-de-barros-1-14552535#ixzz3YkWKvdj5


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Perfil do escritor:


Nascido em Cuiabá, Mato-Grosso, Brasil em 1916, Manoel de Barros, passava em criança longas temporadas na fazenda do pai, no Pantanal, onde desenvolveu o olhar para os movimentos da natureza. Quando estudava no internato São José, na Tijuca, descobriu os sermões do padre Antonio Vieira, com quem aprendeu “a beleza de uma sintaxe”. Estudou direito na capital federal, desiludiu-se com a política e resolveu viajar.


Passou pela Bolívia e Perú (“vivendo como um hippie”, dizia), antes de chegar a Nova Iorque. Na cidade americana, viu “as novidades do mundo” e fez cursos de cinema e artes plásticas. De volta ao Brasil, conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e três meses depois já estava casado.


Mesmo sendo considerado um dos maiores autores brasileiros, a sua reclusão por tantas décadas em terras pantaneiras e a timidez acabaram por dificultar a divulgação da sua obra. Nos anos 1980, admiradores famosos de seus versos, como Millôr Fernandes e Antônio Houaiss, começaram a divulgar poemas de Manoel de Barros, ou a citá-lo em colunas de jornais. O filólogo, que admirava o poeta desde o seu primeiro livro, via nele um “visionário da humildade e solidariedade humanas”. Já Carlos Drummond de Andrade chegou a declarar que o cuiabano era o “maior poeta brasileiro” vivo. O sucesso do filme “Caramujo-flor” (1989), do cineasta Joel Pizzini, ensaio visual baseado na vida e na obra de Manoel, também responsável pelo reconhecimento.


Com tantos elogios, Manoel começou a chamar atenção das editoras e do público. Ganhou dois prêmios Jabutis (por “O guardador de águas”, em 1989, e “O fazedor do amanhecer”, em 2002) e teve livros publicados em Portugal, França, Espanha e Estados Unidos. Em 1998, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto do seu trabalho.


Sua obra mais conhecida é “O livro sobre o nada”, lançada em 1996, no qual aperfeiçoou o seu autodeclarado “idioleto manoelês archaico” — uma linguagem própria criada para transmitir o desregramento dos sentidos. O autor, contudo, considerava seu primeiro livro, “Poemas concebidos sem pecado”, de 1937, o melhor.


Em 1998, o autor explicou seu processo de escrita em entrevista ao GLOBO:


“— Eu estou trabalhando com a palavra e aí me vem uma ideia. E por isso não acredito em inspiração, acredito em trabalho. Mas sei também que transformar palavra em verso, combinar o ritmo com a ressonância verbal, é um dom linguístico. Tenho frases poéticas que são versos. Sei fazer frases.”


Embora tenha sido, várias vezes, o poeta que mais vendeu livros no Brasil, Manoel chegou a comentar que gostaria de também ter sido mais avaliado pelos grandes críticos literários do país, relatou a pesquisadora e professora de Letras da UFMG Lúcia Castello Branco em entrevista ao caderno Prosa, em fevereiro deste ano.


O escritor é objeto frequente da academia, por meio da realização de dissertações e teses, mas, na opinião dela, a crítica deixa a desejar. Em uma reportagem do “Jornal do Brasil” de 1988, na qual era descrito como “o poeta que poucos conhecem”, Manoel explicou os motivos do seu isolamento: “Não tenho boa convivência com a glória. Acho que ela me perturbaria. Preciso muito do escuro”.


No documentário “Só dez por cento é mentira”, lançado em 2008 por Pedro Cezar, ao ser questionado sobre como gostaria de ser lembrado, Manoel ri, coça o peito, diz que a pergunta é cruel; já mais sério, diz que o único jeito é pela poesia. “A gente nasce, cresce, amadurece, envelhece, morre. Pra não morrer, tem que amarrar o tempo no poste. Eis a ciência da poesia: amarrar o tempo no poste”.


Excerto retirado e adaptado de “oglobo.oglobo.com” em 30/04/2015


Não perca, sábado, dia 09 de maio pelas 15h.


 

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